
Fósforo total, fosfato, ortofosfato... Você conhece a diferença entre esses termos e quando analisar cada um?
Data da publicação: 11/30/2022
Publicado por: Umwelt Ambiental

Essa é uma das principais dúvidas dos nossos clientes quando se trata da análise de fósforo.
Em primeiro lugar, é importante esclarecer que o fósforo elementar (P) não é encontrado na natureza, devido à sua alta reatividade. Esse elemento químico é encontrado principalmente na forma de fosfatos, isto é, combinado com oxigênio (PO43-).
Por sua vez, os fosfatos podem ser classificados como: ortofosfatos, fosfatos condensados e fosfatos orgânicos. Para entender melhor a diferença entre eles, veja o esquema no topo do texto.
Os ortofosfatos são aqueles que apresentam as estruturas mais simples, com apenas uma unidade de PO4. São basicamente a unidade ou o componente básico de todos os fosfatos.
Já os fosfatos condensados são aquelas estruturas formadas por várias unidades de PO4 (ou seja, são vários ortofosfatos ligados entre si). Quando se decompõem, o fazem em ortofosfatos.
Os fosfatos orgânicos, como o próprio nome indica, são aqueles que contêm um ou mais grupos de ortofosfato ligados a uma molécula orgânica e também se decompõem em ortofosfatos. Você sabia que detergentes são exemplos de fosfatos orgânicos? Por essa razão, sua presença pode contribuir (mesmo que minimamente) para a concentração de fósforo nas águas e efluentes.
Por fim, o fósforo total em uma amostra representa a concentração do elemento fósforo (P) em todas as suas formas, independentemente de estar presente como ortofosfato, fosfato condensado ou fosfato orgânico.
Agora que você já compreendeu a diferença entre essas espécies químicas, deve estar se perguntando: "mas o que eu devo analisar quando se trata de águas e efluentes?"
E é aqui que começa a segunda parte do nosso artigo.
Quando realizar a análise de ortofosfato?
O fósforo é um importante nutriente para os organismos vivos. Por isso, quando falamos de operação de unidades biológicas de tratamento de efluentes, é impossível não mencionar esse elemento.
Sabe-se que, além de carbono, os micro-organismos necessitam de fósforo e nitrogênio para se desenvolver e, por consequência, para reduzir a ecotoxicidade e a concentração de matéria orgânica dos efluentes. É aí que entra a famosa relação DBO : N : P .
Para analisar essa relação de forma assertiva e econômica quando se trata do fósforo, é correto analisar a concentração de ortofosfato presente na amostra (veja o produto aqui: https://www.umweltambiental.com.br/produtos/292), pois essa é a forma na qual o fósforo se encontra imediatamente acessível para o metabolismo bacteriano. Da mesma forma, se for preciso adicionar fósforo ao efluente para proporcionar um balanço nutricional adequado, é indicado que seja um ortofosfato, como o superfosfato simples.
Ao realizar a análise de ortofosfato, especialmente no caso do balanceamento nutricional, é importante ficar atento a unidade de medida do resultado. Alguns laboratórios emitem o resultado em mgPO4/L, ou seja, em termos de fósforo (P) + oxigênio (O). Para o balanceamento nutricional, o elemento de interesse é somente o fósforo (P). Assim, para essa finalidade, o resultado da análise de ortofosfato deve ser emitido em mgP/L.
O que acontece se a relação DBO : N : P não estiver adequada?
Em geral, baixa remoção de DQO/DBO, ecotoxicidade e problemas de sedimentação de lodo no decantador secundário.
Quando realizar a análise de fósforo total?
Quando se trata de águas e efluentes, as legislações ambientais brasileiras têm interesse na concentração de fósforo total (veja o produto aqui: https://www.umweltambiental.com.br/produtos/291). Isso porque, com o decorrer do tempo, os fosfatos condensados e os fosfatos orgânicos são convertidos naturalmente a ortofosfatos, forma na qual o fósforo é imediatamente acessível pelos organismos. Sendo assim, se não houver o controle da concentração de fósforo total, poderá ocorrer a eutrofização - mais cedo ou mais tarde - dos ambientes aquáticos.
Nesse contexto e para finalizar, as análises de efluentes que são realizadas unicamente para avaliação da conformidade ambiental devem considerar o fósforo total como parâmetro de interesse. Já para o monitoramento dos sistemas biológicos de tratamento, especialmente quando falamos sobre o balanceamento nutricional, o parâmetro de interesse passa a ser o ortofosfato.
Informação Bônus:
A concentração de ortofosfato em águas também é um indicativo de poluição. Em ambientes não poluídos, há pouco ortofosfato em relação às outras frações de fósforo. Já nas águas poluídas por efluentes, na maior parte das vezes, a concentração de ortofosfato é a predominante.
Texto por: Joana Sartoretto Leão, Engenheira Química, Diretora Administrativa da Umwelt Biotecnologia Ambiental.